terça-feira, agosto 20, 2013

O homem que mexendo corações, quase fez o Brasil papar mais uma


A matéria acima, publicada pel’O Globo de 26 de janeiro de 1992, data anotada por minha mãe em seu tôpo, assinalou uma data triste para mim, até porque, trabalhando na Europa, não pude comparecer ao sepultamento de meu tio Luis... O Luis Alberto, destacado locutor da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro (ao lado de Waldir Amaral e Jorge Curi), comentarista  esportivo em um dos primeiros telejornais da TV Globo, ainda nos anos 1960, antes do Jornal Nacional. Um craque do microfone e dono de uma voz envolvente, o suficiente para encantar milhões de torcedores por esses Brasis afora...


Porem, mais do que meu tio, Luis Alberto foi um amigo... Juntos, tomamos um dos maiores pileques de minha vida, à procura de um lauto repasto, cuja iguaria seria Filé de Jacaré (em Miguel Pereira - RJ), e que acabou –após paradinhas de bar em bar–, num boteco à beira de um rio naquela cidade serrana, comendo Cascudos à Milanesa, por sinal, muito bem regados a uma maravilhosa pinga de Salinas e cervejas geladas... Estupidamente geladas...

E mais ainda, pois tio Luis, para alem de professor de Comunicação na Universidade Gama Filho era de uma criatividade que brotava da própria pele, como o suor de sua testa, recordo-me, quase sempre encharcada neste clima "ameno" do Rio de Janeiro.

Mexicoração foi sucesso musical
Na Copa do México (1986), criou a expressão “Mexicoração”, que, pela sua simplicidade, considero simplesmente genial.
Inexperiente na questão de direitos autorais, e, não tendo registrado a frase antecipadamente, Luis Alberto passou o maior sufoco para conseguir receber os royalties referentes à sua criação. Mas, foi obtendo vitórias daqui e dali, isto, anos depois do ocorrido, embora a própria TV Globo tenha lhe pagado um valor apenas simbólico, pela utilização da frase em um jingle criado especialmente para aquela Copa. Mais até pelo fato dele trabalhar na Rádio Globo há mais de 10 anos, naquela data.

Papa essa Brasil pegou tanto
que continuou usada na África
do Sul, 20 anos depois

Já para a Copa seguinte,  a da Itália (1990), ele chegou devidamente preparado com sua frase, desta feita “Papa essa Brasil” devidamente registrada e seguramente sua. O que o fez papar o preço de seu talento, inclusive com o popular  jingle da Globo, que a massificou.  

E o Brasil, que tambem poderia ter papado essa?



5 comentários:

André Setaro disse...

Não tive o prazer de conhecê-lo. Acho que o vi, século passado, de vista e de chapéu.

Anita disse...

Esse teu tio era gênio Jonga. Pelo menos agora comprrendo porque você foi tão premiado e elogiado por tantos;
É porque quem sai aos seus não degenera!

Anônimo disse...

Ouvi Luis Alberto ainda criança, porque naqueles anos 50 quem não ouvia a Rádio Nacional?

Tavim

Anônimo disse...

Claro que eu me lembro do Luis Alberto, por sinal, segundo suas proprias palavras, uma voz envolvente que encantou milhoes de ouvintes daquela fantastica Radio Nacional do Rio de Janeiro.
So nao sabia e nem podia imaginar que fosse seu tio.

Anonymous
New York

Adilson disse...

Não cheguei a conhecer seu tio pois sou bem mais novo. Quando ele faleceu eu ainda era criança. Mas deu para ter uma ideia de sua potencialidade e seu fértil lado criativo.