domingo, novembro 30, 2014

Outra das Havaianas


Assista na postagem abaixo mais um outro comercial imperdível com a apresentadora Fernanda Lima, que destaca as Havaianas Slim, num roteiro bem-humorado da Almap BBDO, criado por André Kassu e Marcos Medeiros. A direção de criação é de Marcello Serpa.
Direção de Clovis Mello, da Cine.
Fotografia: Fernando Oliveira
Rtvc: Arthur Machado, Vera Jacinto

Havaianas "Pé Chato"

sexta-feira, novembro 28, 2014

O “caso” do Homem Minister


Quando atendia a Souza Cruz na Salles, lá pros idos dos anos 80, fazíamos um bom trabalho para as suas marcas. O Eric Nice era o designer exclusivo de todas as embalagens do fabricante. Nos seus quase setenta anos, aquele mestre, em sua salinha na Salles de São Paulo elaborava meticulosamente mockups de novas caras para produtos antigos, ou caras inéditas para produtos idem. Era o bam-bam-bam da história. E, tiro o meu chapéu para reverenciar o seu trabalho e a sua memória.

Mas, voltando à vaca fria. À Salles Rio, que na época atendia produtos da Souza Cruz e Brahma, além claro de outras contas como a Sul América Seguros, a Texaco ou o Banco do Brasil, o DNER e a Embratur, isso somente para enumerar algumas das mais expressivas. Ali, fizemos bons trabalhos para diversas marcas da Souza Cruz. Lembro-me de um filme para Continental usando aquela música “Eu voltei... porque aqui é o meu lugar... e lá, la, la... lá, lá, lá...”, que emocionou o Brasil e decerto marcou presença na história da publicidade neste país.

Mas a Souza Cruz também tinha as suas pedrinhas no sapato. E uma delas era uma marca pioneira em cigarros com filtro, outrora um símbolo de status, e que de repente começava a despencar vertiginosamente em vendas. Lembro-me perfeitamente da primeira reunião que tivemos com o Domingos Logullo (à época o diretor nacional de criação da agência) em que ele falava da necessidade que teríamos de criar uma campanha, para alavancar e reerguer a marca, pois o fabricante não queria desativá-la. Paulistamente falando, uma dupla de criação de Sampa vinha nos “ajudar”. E veio. Prefiro nem citar nomes, pois eram sujeitos do cacête com quem nos demos otimamente, apesar do sentido paternal e intervencionista intrínsecos...

O certo é que de imediato começamos a fazer reuniões atrás de reuniões. Longos brainstorms a portas fechadas para achar uma solução. Foram dias, semanas de um esforço em que saíram as idéias mais estaparfúdias e as mais criativas quase que simultaneamente. Um exercício criativo de causar inveja a qualquer Jerry Della Femina¹ da vida.

Mas a coisa alongou-se por este período sem uma solução aparente. Examinando números e o mercado, suas novidades como produtos light e otras cositas más, ficava difícil reerguer a condenada e outrora gloriosa marca. Mas, um belo dia, alguém que não me lembro mais saiu com a idéia do “Homem Minister”. Um fator novo que balançou o coreto. Mas, quem seria este homem? Quais as características que fariam alguém ser o homem Minister?

Depois de muitos vais e vens, de se terem rifado “ene” alternativas, chegamos finalmente a um nome: Tarcísio Meira. Bonitão, ator de novela, comprovadamente “macho”, casado há anos com a Glória Menezes. Por quê não? E ficamos nele. Por unanimidade a agência inteira aplaudiu. Até que um “advogado do diabo”, que também não me lembro o nome, mas que certamente deve estar ardendo nas profundezas do inferno, levantou aquela lebre: “Mas, e se o cara morre? Afinal ele pode ter um acidente, vive na ponte aérea e blá, blá, blá...”

Assim morreu o “Homem Minister”. E algum tempo depois, a própria marca. Quanto ao Tarcísio Meira. Acho que a última vez que foi visto estava vivinho da silva, fazendo um papel em alguma nova novela da vida... Duro na queda, sô!


(*) Jerry, considerado nos anos 60/70 dos mais criativos publicitários da época, foi um dos sócios da “Della Femina Travisano & Partners”, também uma das agências mais criativas dos Estados Unidos, e tinha uma característica ‘sui generis’ em sua forma de atuar, chegando uma ocasião a afirmar que sua agência não aprovaria nada com seus clientes. Estes veriam os anúncios publicados, os filmes no ar, etc. Porque ele acreditava que, por saber o que fazia, o cliente tinha que confiar nele e em sua equipe. E fim de papo...