domingo, dezembro 14, 2014

O "caso" do elevador


A Fosfértil (que era um cliente da Asa em BH) resolveu promover um concurso interno de decoração natalina. E chamou o Luis Márcio Vianna e a mim, como representantes da agência no júri que escolheria o vencedor.

Combinado o dia, resolvemos nos encontrar bem cedo na agência, e dali, sair para a visita, visto que esta deveria ser prolongada. Primeiro porque o cliente estava localizado em dois prédios. Segundo, porque de fato, nós tínhamos que observar cada uma das seções para efetuar o julgamento. Seria, sem dúvida um processo demorado.

Começamos a operação pelo prédio situado na Avenida do Contorno. Correu tudo às mil maravilhas. Certo que demandou um certo tempo. Dirigimo-nos em seguida ao outro prédio, que não ficava muito distante dali, numa rua da Savassi, da qual não me recordo o nome.

Quando terminamos a inspeção, e pegamos o elevador para voltar ao térreo, e finalmente retornarmos à agência já era quase hora do almoço. Estávamos no quarto e último andar. O elevador, que era pequeno estava bem apertado. Só o amplo Luis Márcio já ocupava uma boa área do dito cujo. Ainda havia eu, e mais dois diretores da Fosfértil. Quando ele parou no terceiro andar e entraram mais três pessoas, eu pensei com os meus botões que aquilo estava ficando cheio demais. E estava mesmo.

Chegando ao seu destino, o maldito do ascensor, resolve passar um pouquinho do nível. A porta ensaiou um pequeno deslocamento e ficou por aí. “Pifou” - pensei. Um ligeiro entreolhar dos seus ocupantes, alguns segundos de silêncio, aquele pensamento relâmpago de “isto aqui está um pouco apertado... quente”, quando alguém mais afoito - ou mais próximo - deu alguns murros na porta. A princípio nada. Um silêncio do cão lá fora. Algum tempo depois uma voz. Depois um barulho e uma barra de ferro surgindo na abertura central da porta. Uf! Um pouco de ar também.

O dia estava quente. E a coisa prolongou-se. Ninguém conseguia abrir a porta. Tinha travado mesmo.

- Já mandamos chamar o Corpo de Bombeiros. - disse a voz do outro lado. E nós lá dentro. Aquele aperto que mal dava para respirar direito.

E o tempo passando. Não sei quanto, mas passando mesmo. O suor escorrendo. O incômodo. A claustrofobia aumentando...

Lá pelas tantas, um odor estranho. Algum dos ocupantes grita que está sentindo um cheirinho de queimado. Eu gelei. Gente, eu gelei mesmo. Morrer queimado no térreo é demais! Até se concluir que o cheiro de queimado fora apenas um cigarro que alguém havia acendido lá fora, e que chegou a nós pela fresta da porta, foi um deus-nos-acuda dos diabos.

O Corpo de Bombeiros chegou depois de decorridos uns vinte minutos naquela situação esquálida.

Quando saímos e atravessamos a rua, entramos num bar e pedimos uma cerveja. Sem dúvida a loura gelada mais gostosa da minha vida!

3 comentários:

Anita disse...

Já fiquei presa num elevador e sei o que isso significa.

Anônimo disse...

Um "caso" claustrofóbico.

Tavim

Cantidio disse...

Simplesmente D+