terça-feira, dezembro 16, 2014

Saudades do Pedrosa


Conheci Carlos Pedrosa quando eu ainda era estagiário na McCann-Erickson, na época de ouro da publicidade carioca, lá pelos idos dos 1960. Naquele tempo, o Rio de Janeiro ainda disputava com São Paulo a hegemonia da propaganda no Brasil. E agências como a Denison, a JMM, a Thompson, a McCann ou a SGB, ainda detinham aqui no Rio contas importantes como a Esso, a Coca-Cola, a Souza Cruz, a Ducal, o BNH, a Brahma, a Cruzeiro do Sul ou o Banco Nacional, só para citar algumas.

Nascido em 14 de julho de 1941; Carlos Milton Romano Pedrosa foi um dos fundadores da Pubblicità, depois de ter dirigido a criação da L&M e da Premium. Trabalhou na McCann-Erickson, na Norton, na Esquire e na Contemporânea. Presidiu o Clube de Criação do Rio de Janeiro (CCRJ) entre os anos de 1978 e 1979, foi conselheiro do Conar (Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária) e foi considerado um dos melhores criativos de texto da propaganda carioca, premiado como destaque de Redator pela Associação Brasileira de Propaganda (ABP), entre muitos outros prêmios.

Definindo a Redação Publicitária como um ato de falar na língua e no sentimento de cada povo, Pedrosa enxergava o redator como um artífice da palavra, afirmando que as palavras podem dizer algo distinto do que se lê, criando uma espécie de jogo com o consumidor. E que, tão logo, o processo criativo dos redatores nada mais é do que a busca pelo título mais conciso, impactante, breve e vendedor.

No primeiro Encontro Brasileiro de Redação Publicitária, realizado em Paraty, Pedrosa foi palestrante em plena Igreja da Matriz. Jomar Pereira da Silva, presidente da Associação Latino Americana de Propaganda, organizadora do evento, relembra que na ocasião, em agosto de 2006, ele driblou com maestria as dificuldades de ordem técnica do espaço onde proferia sua palestra e terminou ovacionado. Jomar relembra a gentileza e o humor do redator. "Ele unia competência com humor”, relembra.

“Generoso, acolheu muitos e muitos e muitos que, sem emprego, procuravam-no em busca de um ombro amigo, porque telefone de desempregado não toca. Paciente, suportou meu voluntarismo e acolheu meus excessos. Sábio, foi responsável, com outros poucos, pelo melhor da publicidade brasileira”, dieclarou Roberto Bahiense.

Fundador da agência Pubblicità, era casado com a também publicitária Maria Celia Salgado e pai do tambem criativo Marcos Pedrosa, com quem trabalhei na VS.

Pedrosa, cuja morte soube ontem ao encontrar um amigo comum, ao acaso em Copacabana, foi não somente o inspirador de alguns “casos” deste blogue, como postou diversos “casos” contados por ele, o que muito me orgulha... Saudades do Pedrosa!

6 comentários:

Anita disse...

Como você não soube?

Ernani disse...

Quem neste mercado não conheceo o Pedrosa!
Deixa saudades mesmo!

almagro disse...

Merecida homenagem estas esclarecedoras lembranças pra quem, como eu, venho de um pouco mais 'pra cá' (anos 80, tbém RJ).

Cantidio disse...

Você mesmo publicou neste blog diversos casos do Pedrosa com o título de "Casos que o Pedrosa contou", lembra-se?

Anônimo disse...

Nao me avisaram nada a respeito.
Fiquei triste porque o Pedrosa era um genio da publicidade brasileira. E parodiando voce: "quica um genio da publicidade mundial"

Anonymous
New York

João Pedro disse...

O Pedrosinha é a pessoa mais incrível que eu já conheci nesta vida. Um ser humano inefável.
Saudades...